“Peregrinação Crioula”, uma viagem a Cabo Verde marcada pelo processo de autodescoberta e confronto de identidades
* Obra selecionada para o Prêmio Oceanos 2020
O veleiro, os marinheiros, as paisagens, os habitantes de cada porto, tudo se torna parte de uma grande aventura para Paulo Branco Lima, escritor português de origem angolana, que apresenta seu segundo romance, Peregrinação Crioula.
Uma viagem pelo mar tem muitas dimensões, perigos e revelações. Pelo caminho permeiam mistérios e monstros que vão além da imaginação, revelando muito da vida de quem se lança por sobre as águas. Assim, ao balanço das ondas salgadas, durante uma jornada ao arquipélago de Cabo Verde, os leitores são convidados a atravessarem o horizonte onírico do tempo.
À medida que os episódios avançam, a narrativa desdobra-se num olhar pós-moderno sobre Peregrinação, a obra magna de Fernão Mendes Pinto. Publicada em 1614, trinta e um anos após a morte do autor, é tida como o livro de viagens da literatura portuguesa mais traduzido e famoso em todo o mundo.
Resultando de uma longa pesquisa sobre o conceito de navegação atlântica, o processo de escrita de Peregrinação Crioula tornou-se num projeto de vida com mais de vinte anos de recolha empírica e destilação em matéria criativa. Funcionando como jogo intertextual, recuperam-se várias personagens da obra quinhentista, colocando-as a bordo de um navio-escola de traços contemporâneos. Reconfiguram-se, de igual modo, numa estreita convivência entre a Língua Portuguesa e o Crioulo cabo-verdiano, fragmentos cruciais como a entrega da espingarda no Japão, os demónios de Pocasser ou a ilha de Calempluy.
Nas palavras de Abílio Hernandez, docente de História e Estética do Cinema da Universidade de Coimbra, “Paulo Branco Lima percorre os labirintos da memória e do passado para que no final da errância se possa produzir o equilíbrio e a catarse. Desta errância, não é só o itinerário que nos é oferecido, é também o retrato dos itinerantes, dos que vagueiam, isto é, dos que erram, perseguindo a felicidade”.
Para Pires Laranjeira, especialista em Literaturas e Culturas Africanas, docente da área disciplinar de Literaturas e Culturas Africanas de Língua Portuguesa da FLUC, trata-se de “um livro de escrita comedida, metódica, visual, que descreve com minúcia e empolga pela força da palavra diretamente testemunhal, mas cruzada com a matriz renascentista: marinheiros-aprendizes, rotinas apertadas, trabalhos e dias duros, espaços e sujeitos enclausurados num oceano de espantos e águas abertas, à descoberta de si. Como em Mendes Pinto ou no romance reportagem norte-americano, a aventura na simplicidade das vidas jovens, na riqueza da narrativa de formação. Um encontro com o mundo novo das ilhas crioulas, numa poética da relação, como dizia Glissant.”
Como destaca Mário Gomes, doutorado em Teoria da Literatura pelas universidades de Bona e Florença, onde deu aulas, e professor visitante e leitor do DAAD (Serviço de Intercâmbio Académico Alemão) na Universidade de Concepción (Chile), “estamos perante um autor que na gíria literária se apelidaria de náutico: um autor de navios-escola e marinharia, mas sobretudo um artista da submersão literária. Sei de poucas pessoas – assim de repente lembro-me de um ou dois casos – que vivam tão submersas na literatura como o Lima.”
Peregrinação Crioula já tem datas de lançamentos em várias cidades, a começar por Lisboa, no dia 11 de junho, pelas 18h00, na Livraria Ler Devagar (LX Factory – Rua Rodrigues Faria, 103 – Ed. G – 0.3). O romance será apresentado pelo escritor e tradutor Mário Gomes, cujo recente trabalho de conversão para Língua Portuguesa do autor germânico Arno Schmidt (até então inédito em Portugal) e da sua obra Leviatã ou O Melhor dos Mundos seguido de Espelhos Negros, recebeu o elogio da crítica especializada. Os atores Miguel Sopas e Ricardo Vaz Trindade lerão fragmentos do romance .
Em Coimbra, a sessão de lançamento decorrerá na Casa da Escrita a 14 de junho, pelas 18h00, e será apresentada por Pires Laranjeira, autor de várias obras de referência na especialidade de Literaturas Africanas, entre as quais A Negritude Africana de Língua Portuguesa (1995), Ensaios Afro-Literários (2005) ou 5 Povos 5 Nações (2007).
Foto: Miguel Von Driburg
Paulo Branco Lima é escritor, ator, performer, investigador literário e produtor cultural. Licenciado em Jornalismo e Mestre em Literatura de Língua Portuguesa pela Universidade de Coimbra, em 2013 publicou o romance Origem e Ruína na chancela Chiado Editora. Enquanto autor, fomenta alicerces nas obras de William Faulkner, Camilo Castelo Branco, Pepetela, Vitorino Nemésio e Guimarães Rosa. Membro do Centro de Literatura Portuguesa da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, é colaborador regular da Revista de Estudos Literários e das publicações angolanas O Chá e Jornal Cultura. O seu trabalho foi destacado por vários veículos de comunicação em Portugal e África. Saiba mais em RTP África Mar de Letrashttps://www.youtube.com/watch?v=4xh8XFspE1U&t=20s e também em https://www.youtube.com/watch?v=YN6Q9WVdG8w
DADOS DO LIVRO Título: Peregrinação Crioula Autor: Paulo Branco Lima Editora: Aquarela Brasileira Livros Gênero: Romance Formato: 14 x 21 cm Número de páginas: 172 ISBN: 978-85-92552-12-1 Depósito legal: 455407/19 Web: www.aquarelabrasileira.com.br/peregrinacao-crioula Encomendas: faleaquarela@gmail.com
José Saramago e toda a equipa da Fundação José Saramago, em Lisboa, receberam de braços abertos os escritores, escritoras e convidados que compareceram à Casa dos Bicos, no dia 02 de fevereiro de 2019, para apresentação do livro “Coimbra em palavras”.
Um encontro fraterno com a palavra em suas múltiplas dimensões, da palavra que fala, que cria, que lembra, que questiona, que une, que confronta, que abre espaços para novas criações.
Um dia e uma noite para ficar na memória de todos e todas que lá estiveram, de corpo presente e no pensamento.
A Aquarela Brasileira Livros agradece a todos que colaboraram para esta realização, para que este sonho se tornasse parte das memórias de todos que amam a literatura, os livros e os pensadores-humanistas, como José Saramago.
Que venham outros encontros, outros livros, e muita poesia para nos embriagar e nos conduzir.
O próximo lançamento e apresentação do livro chega com muito gosto e honra ao templo da Fundação José Saramago – Casa dos Bicos, na Rua dos Bacalhoeiros, 10 – 1100-135, (que logo passará a se chamar Largo José Saramago),
Anote na agenda: sábado da graça, 02 de fevereiro, na luminosa Lisboa, das 15h às 18h.
Estejam todas e todos convidados para nosso recital da diversidade acompanhado de muitos sorrisos, guitarra acústica e uma boa conversa.
E viva o humanista José Saramago! E celebremos para sempre o escritor José Saramago!
Coimbra em Palavras reúne 34 autoras e autores (de todos os continentes) para celebrar a multifacetada cidade de Coimbra
Coimbra é eterna e misteriosa e aqui é apreciada de forma criativa através das palavras de
Poeta G, Rita Gomes, Ricardo Almeida, Élia Ramalho, Raquel Lima, Wagner Merije, Marie Claire De Mattia, Bruno Mendonça, Marina Alexiou, Tiago Miguel Knob, Hérica Jorge, Fábio Lucindo, Elaine Santos, O Urso, Helen Maia, Jairo Fará, Julie-Cerise Gay, Zhang Qinzhe, Aline Ferreira, Vittorio Aranha, Moema Najjar, Rafael Cheniaux, Paula Machava, Sérgio Fagundes, Clara Pereira, Laylla O’Neall mais
Luís Vaz de Camões, Eça de Queirós, Florbela Espanca, Gregório de Matos, Gonçalves Dias, Tomás Antônio Gonzaga
Prefácio: José Augusto Cardoso Bernardes
Posfácio: Adriana Calcanhotto
LANÇAMENTOS/APRESENTAÇÕES
02/02/2019 – Fundação José Saramago – Casa dos Bicos
Rua dos Bacalhoeiros, 10 – 1100-135
Lisboa – Das 15h às 18h
15/11/2018 – Liquidâmbar – Praça da República nº28 1º – Coimbra
13/10/2018 – Livraria Tigre de Papel – Rua de Arroios 25, Lisboa
02/10/2018 – Casa da Escrita – R. João Jacinto 8 – Coimbra
“O cárcere de Newton e outros contos” aposta em estratégias insólitas para tentar desvendar as várias faces do ser humano
O cárcere de Newton e outros contos é um petardo. É uma aposta literária. Tem mistério, tem graça, tem agilidade, é cômico, é insólito, é surreal. Em alguns momentos aponta uma ruptura com o mundo tal como ele nos é dado, em uma fronteira entre o improvável e o costumeiro. Este é o tempo dos eventos sensíveis. A racionalidade ficcional está em aberto neste livro, há um embate entre o universo tradicional dos contos fantásticos e o mundo moderno do realismo. Precisa de mais motivos para você lê-lo?
Os contos, ensaios e poemas de Bruno Macêdo Mendonça vêm obtendo ampla aceitação na esfera de divulgação tipicamente pós-moderna. Desde de 2015 – quando o autor começou a desengavetar antigos escritos e a direcionar suas energias para a produção literária –, inovadores, criativos e conscienciosos periódicos eletrônicos, tanto brasileiros quanto portugueses, têm publicado seus textos, contribuindo, decerto, para a evolução de sua carreira, mas também para o fortalecimento, a projeção e a democratização das letras e da língua portuguesa.
A experiência da leitura é única e fascinante, as sensações diversas e múltiplas. Entre a realidade das situações no livro tramadas e a ficção estilística do autor, restará a dúvida e o riso alto ao se completar a leitura de O cárcere de Newton e outros contos.
André Balbo, editor da revista literária Lavoura, escritor e curador, aponta no prefácio que o livro é “uma oportunidade de ler o mundo a partir de lentes incomuns, oblíquas – essa sim uma tarefa obscura, a julgar por nossa adição insípida por aquilo a que chamamos realidade, refém de protocolos e burocracias pachorrentas, que nos impedem de cavoucar os mecanismos não ditos.” E vai além: “Bruno Macêdo Mendonça é daqueles autores que busca contradizer os diversos “materialismos prosaicos” aos quais nos amoldamos, retorcendo as trivialidades e liberando os possíveis…”
Nas palavras de Jorge Pereira, Editor-Chefe da Philos – Revista de Literatura da União Latina, “nota-se que no Cárcere de Newton, embora presente sua habitual postura crítica, os ídolos sob a mira do escritor são a objetividade do real e a unidade do eu cartesiano. Com escrita perspicaz, o autor remove ruídos de nossa atmosfera institucional e executa um mergulho no ser, sem olvidar a problemática de sua interação com o mundo externo. Bruno detém essa louvável capacidade de aperfeiçoamento artístico, mantendo compromisso inafastável com a precisão e qualidade do texto.”
Bruno Macêdo Mendonça (Recife, 1979) é escritor, autor da coletânea de contos Trôpegos visionários e do romance Liberdade, lançamentos da Editora Kazuá. Estudioso das múltiplas facetas do insólito na narrativa curta, desenvolve atualmente sua pesquisa no Doutoramento em Línguas Modernas: Culturas, Literaturas e Tradução, da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. É também colunista e curador da Revista Philos. Tem textos seus publicados em meios literários diversos, de que são exemplos: Revista Gueto; Marina Tambalo: Crítica e Literatura; Plástico Bolha; A Mão de Safo; Revista Desenredos; Jornal O Relevo; Revista Enfermaria 6 e Revista Subversa. Este livro é o segundo projeto em parceria com a Aquarela Brasileira Livros, tendo o autor publicado, no segundo semestre de 2018, narrativas suas na obra coletiva Coimbra em palavras, do mesmo selo editorial.
DADOS DO LIVRO Título: O cárcere de Newton e outros contos Autores: Bruno Macêdo Mendonça Editora: Aquarela Brasileira Livros Conteúdo: Contos; Contos fantásticos; Realismo; Prosa Formato: 14 x 21 cm Número de páginas: 114 ISBN:978-85-92552-11-4 Depósito legal: 446998/18 Web: www.aquarelabrasileira.com.br/o-carcere-de-newton-e-outros-contos Encomendas: faleaquarela@gmail.com
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Coimbra em Palavras em Lisboa – Foto: @partilheconteudo
Coimbra em palavras – Lançamento em Lisboa (malta)
Coimbra em palavras Lançamento em Lisboa + Wagner Merije
Vídeos: @partilheconteudo
Fotos: Júlia Zuza
Fotos: Erick Morris
Fotos: Arquivo Geral
Coimbra em Palavras reúne 34 autoras e autores (de todos os continentes) para celebrar a multifacetada cidade de Coimbra
LANÇAMENTO EM LISBOA
13/10/2018 – Livraria Tigre de Papel – Rua de Arroios 25, 1150-053
Coimbra é eterna e misteriosa e aqui é apreciada de forma criativa através das palavras de Poeta G, Rita Gomes, Ricardo Almeida, Élia Ramalho, Raquel Lima, Wagner Merije, Marie Claire De Mattia, Bruno Mendonça, Marina Alexiou, Tiago Miguel Knob, Hérica Jorge, Fábio Lucindo, Elaine Santos, O Urso, Helen Maia, Jairo Fará, Julie-Cerise Gay, Zhang Qinzhe, Aline Ferreira, Vittorio Aranha, Moema Najjar, Rafael Cheniaux, Paula Machava, Sérgio Fagundes, Clara Pereira, Laylla O’Neall
mais
Luís Vaz de Camões, Eça de Queirós, Florbela Espanca, Gregório de Matos, Gonçalves Dias, Tomás Antônio Gonzaga
Prefácio: José Augusto Cardoso Bernardes
Posfácio: Adriana Calcanhotto
Coimbra em Palavras faz parte de uma coleção da Aquarela Brasileira Livros, editora sediada em São Paulo e que chega agora a Portugal, que apresenta histórias afetivas de cidades, estados e países, pela visão e sentidos de quem vive e se reconhece em suas ruas, casas, esquinas e bares
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